terça-feira, 29 de novembro de 2016

De passagem, mas com excesso de bagagem


Embora estejamos nesse mundo de passagem, nossa bagagem dá a impressão de longa, de longuíssima estadia, principalmente se considerarmos a influência e o apelo ao consumo exagerado e irrefletido ao qual estamos expostos diariamente.

 Veja a ilustração abaixo:
Certa vez um turista americano foi visitar o renomado rabino polonês Hofetz Chaim.
Ele ficou chocado ao perceber que a casa do rabino estava repleta de livros, tinha uma mesa e um singelo banco.
Chocado, o turista perguntou:
- Onde está sua mobília?
O rabino replicou:
- Onde está a sua?
Confuso, o americano respondeu:
- Eu sou o visitante! Estou apenas de passagem.
Então Hofetz respondeu de maneira serena e profunda:
- Eu também.


Bagagem


Pense nisso! 


Créditos da imagem: nitinut - Free Digital Photos

terça-feira, 8 de novembro de 2016

A história das soluções - Annie Leonard


Quem gostou do video "A História das coisas" (veja aqui) provavelmente vai gostar também de "A história das soluções".
Seguindo o mesmo estilo e raciocínio, esse video mostra o grande problema que o consumismo, capitalismo e governos ineficientes têm ocasionado ao planeta. Mas mostra também que isso tem solução através da mudança na forma de produção e consumo. 

Vale muito a pena ver!




terça-feira, 1 de novembro de 2016

Os rios de São Paulo



Rio
Quem conhece São Paulo sabe que na cidade há muitos rios, riachos e córregos, que geralmente são mais visíveis nas periferias. O que muitos não sabem é que na cidade inteira, a menos de 300 metros de onde você estiver, há um curso d’água por perto. Como a maioria deles foi canalizado de forma subterrânea, é quase impossível saber que eles existem.

Posto aqui 2 links com mapas muito interessantes sobre o assunto:
Esse link foi elaborado pela Revista Veja e esse outro pela Prefeitura de São Paulo.
 



Infelizmente a maior parte dos rios virou esgoto, tanto que os que estão a céu aberto quanto os subterrâneos devido a falta de planejamento e interesse na preservação desses locais.

É paradoxal ver uma cidade com tantos cursos d’água ativos ter passado recentemente por graves problemas de ... falta d’água, pois o que existe são rios e riachos sem vida, totalmente contaminados e desagradáveis para quem vive ou passa por perto deles. Além disso, muitas vezes tornam-se sinônimo de apreensão e problemas aos moradores da região devido às constantes enchentes causadas por rios estrangulados e sufocados por avenidas e exploração imobiliária legal ou ilegal.

Até o início do século passado os rios Pinheiros e Tietê (os maiores da cidade) eram navegáveis, com clubes náuticos em suas margens – ainda existem algumas escadinhas que davam acesso às embarcações. Veja mais sobre esse assunto aqui e aqui.
Hoje, ambos são sufocados por vias de tráfego muito intenso designadas como expressas, termo que não condiz com a realidade na maior parte do dia.

O caso do Tietê é pior, pois com a mudança do curso do rio no século passado (veja aqui, principalmente a foto 5), ele ficou praticamente espremido entre as vias, com margens semelhantes aos flood control channels norte-americanos (canais de controle de enchente, em tradução literal). Se você não conhece São Paulo, procure “Ponte das Bandeiras” no Google Maps para ter uma ideia da situação.

Na década de 90 um caro sistema de flotação foi implantado no Rio Pinheiros com ampla divulgação inicial e pouco resultado. Logo o projeto foi abandonado de forma muito discreta.  Após isso, mais de uma década e meia depois, nada foi feito nesse sentido de forma relevante, com resultados visíveis e positivos em termos de despoluição e melhoria da qualidade da água. No rio Tietê, é feita a dragagem com o objetivo principal de diminuir enchentes, o que é bom, mas o ideal seria se não ficasse só nisso.
O que percebo é que poucos são os riachos que em algum trecho conseguiram sobreviver ao destino de virar esgoto, como os localizados em áreas com pouca densidade demográfica, como Marsilac e Parelheiros. Alguns são nascentes em locais muito habitados, como o Riacho das Corujas, no Sumaré; o Pirajussara Mirim, no Butantã; o Riacho Carandaí, na Casa Verde; o Riacho Saracura Grande, na região da Avenida Paulista; várias nascentes no Parque da Aclimação.

O estado atual dos rios da cidade de São Paulo demonstra que nunca foi dada a devida atenção à preservação desses locais tão básicos à existência em todas as suas formas.

Chega a ser temeroso perceber que em pleno século XXI, época na qual há muita informação e tecnologia, nada realmente significativo e relevante seja feito para melhorar de forma eficaz e progressiva o enorme e inestimável estrago feito nos rios paulistanos, o que pode ser também a realidade de muitas cidades brasileiras.

Na cidade onde você mora (ou morava) os rios também são tratados dessa forma? Compartilhe sua experiência aqui!

Post relacionado:
Crises hídrica e elétrica

Boa semana.



Créditos da imagem: mapichai - Free Digital Photos