terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Consumidores mastigando pouco?


Consumismo


Um dos maiores erros dos consumidores do mundo contemporâneo é que estamos mastigando pouco. Essa foi a conclusão do educador financeiro Marcos Silvestre no texto: O erro dos consumidores? Estão mastigando pouco!
 

A analogia é muito adequada e criativa, pois o que tem se tornado cada vez mais comum na alimentação (mas não normal, veja aqui) está sendo utilizado também em relação ao consumo.

Todos sabemos que mastigar várias vezes o alimento, sem pressa e em um ambiente agradável e adequado são práticas fundamentais para uma boa digestão. Mas quem habitualmente age dessa forma?

Segundo Silvestre, ao mastigar pouco, comemos muito mais do que o necessário, saboreamos pouco e engolimos rápido demais.
Tudo isso resulta em uma digestão mais lenta e difícil, menor absorção de nutrientes e sensação de saciedade por menor tempo. Imagine esse hábito sendo praticado em longo prazo!

Em relação ao consumo, será que não estamos trilhando o mesmo caminho?

Temos pressa em consumir, mas por pouco tempo, pois logo o objeto de consumo já não desperta mais tanto interesse. Então, temos novamente desejos de compra, que nos levam a mais consumo com satisfação cada vez mais passageira, dando lugar a novos desejos de consumo em um círculo vicioso muito intenso, dinâmico e destruidor do orçamento doméstico, dos recursos naturais e gerador de mais lixo.

E assim, muitas vezes vamos nos tornando acumuladores de coisas que não nos interessam ou que não mais usaremos, mas que queremos comprar simplesmente pelo ato de comprar. Podem ser livros, roupas, sapatos, filmes, jogos. Objetos que temos apenas pela ânsia de ter, pois no fundo sabemos que dificilmente usaremos novamente aquele objeto.

As gerações passadas davam muito mais valor ao que possuíam, pois, a escassez de recursos financeiros obrigava as famílias a limitarem gastos com supérfluos, então tudo era muito bem aproveitado. Infelizmente o apelo do marketing e a facilidade para comprar resultaram em indivíduos insaciáveis e com satisfação fugaz em relação ao que foi comprado.

Como disse o Guilherme no blog Valores Reais: deixe as coisas gastarem. Se ainda está sendo útil e atendendo suas necessidades, por que comprar outro? Porque está um pouco desatualizado? Porque está fora de moda? Porque “todo mundo” tem um modelo novo e mais moderno?

Se não conseguirmos nos dominar nesse sentido, o consumismo nos dominará, causando um impacto ambiental maior ainda do que o atual já não suportado pelo planeta.

Por isso, antes de fazer novas aquisições, reflita se a compra é realmente indispensável ou se não é uma nova influência da mídia e/ou da sociedade criando uma nova necessidade desnecessária.

Pense nisso!




Créditos da imagem: Stuart Miles - Free Digital Photos

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Você sabe estudar? – Cláudio de Moura Castro - Resenha (Parte 2)


Conforme prometido no post anterior, essa é a segunda parte da minha resenha do livro Você sabe estudar?


Você sabe estudar? – Cláudio de Moura Castro

Capítulo IV – Bons hábitos de estudo

Nesse capítulo são abordadas dicas para a criação de novos hábitos de estudos, como:
- Ler antes da aula, pois ao familiarizar-se previamente com o assunto, o aprendizado será muito maior e proveitoso;
- Tomar boas notas nas aulas, pois reforçam o aprendizado;
- Fazer anotações e resumos, pois também auxiliam na melhor compreensão do que foi estudado.

O item “Como ler um livro”, o primeiro que li, aborda:
- Leitura passiva, na qual as novas informações são guardadas na memória como a receita de um bolo ou o roteiro de uma viagem.
- Leitura ativa, na qual há informações, mas também ideias a serem compreendidas e assimiladas, o que é melhor alcançado colocando-se no lugar do autor.

Aprender a ler com competência é fundamental para o aproveitamento do conteúdo estudado.

É apresentado um roteiro bem interessante, o qual proporciona o aumento do interesse pelo assunto, podendo até mesmo ciar uma certa dose de curiosidade.

Esse capítulo aborda também a leitura superficial (na qual são lidos título, prefácio, sumário, bibliografia, capa e capítulos mais importantes) e a leitura analítica (metódica, do início ao fim, de forma linear ou apenas as partes que interessam ao leitor, mas sempre em sequência).
Após isso é hora de retornar aos capítulos mais difíceis, que agora serão mais facilmente compreendidos devido a leitura prévia.

Outra ideia interessante desse capítulo é a leitura comparativa, na qual são procuradas ideias sobre o mesmo assunto para confrontá-las entre si e verificar a contribuição do autor sobre o tema.

Outro item relevante desse capítulo é: Biblioteca e a internet: como sobreviver na selva da desinformação

Informações erradas ou sem a citação de fontes confiáveis são muito comuns na internet, por isso, precisamos nos precaver de ler ou utilizar tais informações, que dão margem à dúvida e prejudicam a credibilidade do autor perante os leitores.
Para isso, é imprescindível verificar a veracidade e a origem do material pesquisado, a reputação dos autores, inclusive se estão dispostos a mostrar como conseguiram os dados ou chegaram à conclusão apresentada.



Capítulo V – Técnicas para entender a matéria


Decorar fórmulas de física ou matemática fica muito mais fácil ao correlacionarmos tais fórmulas ao mundo real, como se fizéssemos parte do problema a ser resolvido.
A boa educação não é formada apenas por informações, mas também pela capacidade de pensar e solucionar problemas e criar novas ideias com essas informações. Antes a decoreba era vista como normal, agora o que conta é a real compreensão sobre o assunto. Acredito que ainda levará muito tempo para que a decoreba seja realmente deixada de lado, mas um grande passo foi dado nesse sentido através da criação de vídeos didáticos, principalmente com animações, que facilitam o aprendizado.

“Se acho que posso, posso,
Se acho que não posso, fracasso”.

Quem nunca passou pela situação de deparar-se com uma matéria muito difícil, algo que realmente não entra na cabeça?
Para o aprendizado bem-sucedido tornar-se realidade são necessários: crença na própria capacidade, persistência e boa direção do esforço.

Mas, e quando o assunto é chato? Aprender sobre o que gostamos é fácil. Mas, e quando não gostamos do assunto? Nesse caso é muito importante encontrarmos algo que nos interesse no assunto e fazer uma correlação com a realidade.



Capítulo VI – Técnicas para não esquecer


Esse capítulo começa explicando porque é bom esquecer. Imagine se nos lembrássemos de tudo? Nossa mente ficaria totalmente congestionada. Por isso, retemos apenas o que é importante, de acordo com nossas afinidades e gostos pessoais.
Para não esquecer é indicado também a repetição, que reforçará o aprendizado. E estudar, (estudar muito!), até que a compreensão do assunto seja realmente sentida.
No caso de fórmulas ou nomes, associá-las a músicas também apresenta bons resultados.

 

Capítulo VII – A arte de fazer provas sem nervosismo
 

Tarefa difícil, principalmente em provas escolares importantes ou concursos públicos. Mas não impossível.
Veja algumas dicas importantes:
1º dica: procurar provas anteriores, para verificar o estilo, as possíveis “pegadinhas” e o grau de dificuldade dessas provas.
2º dica: sempre revise a prova antes da entrega, pois isso mostrará alguns erros tolos de nossa parte.
3º dica: não fique afobado, pois o nervosismo (seu ou dos outros) só atrapalhará. Se estudou o necessário, não é momento de deixar que a ansiedade reduza sua capacidade de raciocínio.


Conclusão

 
O livro “Você sabe estudar?” é muito adequado para quem quer aprender de forma eficaz, retendo na memória apenas o que é realmente importante para o objetivo ser alcançado. Os variados exercícios práticos auxiliam na melhor compreensão do que foi lido e também na mudança dos hábitos de estudo.

O livro proporciona uma leitura leve, agradável e de fácil entendimento, o que é reforçado pelo layout, cores e ilustrações. É um excelente auxiliar para estudantes de todos os níveis.


 

Recomendo!


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Você sabe estudar? – Cláudio de Moura Castro - Resenha (Parte 1)


Quem nunca passou pela situação de estudar muito uma matéria, mas perceber ao final do estudo que o aprendizado foi muito abaixo do esperado?
Pior ainda quando o esforço e o tempo gastos não foram suficientes para que a nota esperada (ou necessária) fosse alcançada.



Você sabe estudar? – Cláudio de Moura Castro

O livro Você sabe estudar? objetiva ser um auxílio nesse sentido. Na própria capa está escrito:
“Quem sabe (estudar), estuda menos e aprende mais”.


Acredito ser esse um dos sonhos de todo estudante: aprender mais em menos tempo.


O livro, da editora Penso, possui 176 páginas. Como a minha resenha ficou um pouco extensa, dividirei em 2 posts.
 

Divisão do livro
O livro é dividido em 7 partes subdivididos em capítulos, que não precisam ser necessariamente lidos em sequência.
Eu, por exemplo, comecei a leitura pelo capítulo 4, item D: “Como ler um livro”.
Nada melhor do que começar a ler um livro aprendendo na prática a melhor maneira de leitura.

Um ponto positivo é o projeto gráfico, que proporciona uma leitura agradável e dinâmica, com tópicos e frases importantes bem destacadas. Nada de monotonia!
Outro ponto que gostei é a presença constante de exemplos e a parte prática, o que é muito bom como auxílio inicial para colocar a teoria em prática.



Introdução
O livro inicia falando sobre a importância do treinamento contínuo.
“Aprender é coisa que se aprende”, pois através da execução contínua e disciplinada de técnicas, aprende-se muito com o mínimo de esforço possível, o que resulta em motivação e maior interesse no assunto estudado, que facilitam ainda mais o aprendizado, formando um círculo virtuoso. Além disso, muitas vezes o estudante acaba gostando do que aprendeu, pois fica satisfeito com os resultados alcançados.

 

Capítulo I - Aprendi, mas já esqueci!
Quanto maior for o interesse ou a utilização do assunto aprendido, maior será a sua fixação na mente. É algo que será levado durante a vida. Quando isso não ocorre, é sinal de que o assunto foi apenas superficialmente aprendido e não perdurará por muito tempo na mente.

 

Capítulo II - Preparativos: o ambiente é para ajudar, não para atrapalhar
O ambiente deve ser organizado e limpo para facilitar o bom aproveitamento do estudo. A cadeira deve ser confortável, mas não tanto para não favorecer cochilos frequentes. A mesa e a iluminação também precisam ser adequadas ao estudo.

A organização externa influencia a organização interna: ”mesa arrumada, cabeça arrumada”.
“A ordem (ou desordem) física ao nosso redor condiciona a ordem (ou desordem) que reina em nossa cabeça. Se a mente está confusa e não conseguimos arrumar os pensamentos para começar a estudar, um ambiente bagunçado só pode atrapalhar”.

Outro problema muito prejudicial ao rendimento do estudo são as interrupções. Há momentos em que isso não pode ocorrer, caso contrário, afetará os estudos.

Para melhorar a concentração, há algumas dicas valiosas, como respiração profunda ou pensar em coisas agradáveis que serão feitas posteriormente. Cada pessoa se identifica melhor com uma técnica, então, a melhor coisa é focar nessa técnica específica para obter melhores resultados em relação a concentração.

 

Capítulo III – O tempo é a sua maior riqueza, há que administrá-lo
Aqui novamente é abordada a organização, pois o tempo precisa ser particionado de forma para que todas as tarefas previstas sejam executadas de forma eficaz e o resultado alcançado.
Geralmente gastamos muito tempo com atividades não tão importantes enquanto as prioridades ficam para segundo plano. Por isso devemos fazer uma lista numerada por ordem de importância.
E segui-la.
Essa atitude fará uma grande diferença em relação ao tempo diário mal aproveitado.

Urgente x Importante
É necessário priorizar o que é importante para que não se torne urgente. De urgência em urgência o tempo passa, o que era importante torna-se urgente e a vida se resume a “apagar incêndios” em vez de preveni-los.

Esse capítulo também aborda a importância do hábito de criar listas ou agendas. Dessa forma, o cérebro fica liberado da tarefa de lembrar-se continuamente de algo, resultando em concentração e maior rendimento. Eu costumo fazer essas listas há algum tempo e funcionam mesmo! Em breve farei um post sobre esse assunto.

“Disciplina é fazer o que precisa ser feito quando não estamos com vontade”.
Você conhece alguém que já nasceu com essa predisposição? Eu não.
Quantas vezes você começou algo e abandonou pela metade, falando (para si ou para outros) que vai terminar, mas nunca termina?
A disciplina (de forma geral) é um hábito que precisa ser aprendido e praticado para surtir efeito.

Descansar e dormir também são bons hábitos para aumentar a capacidade do cérebro em absorver o conteúdo estudado. Tudo deve ser feito com equilíbrio e se nas últimas décadas dormir foi considerado “perda de tempo”, felizmente os cientistas têm conseguido provar que não é bem assim que as coisas funcionam e que o cérebro precisa sim de descanso adequado para funcionar de forma plena. Caso contrário, o aprendizado e a produtividade são prejudicados.



Clique aqui para ler a 2º parte da resenha.


Até mais!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Bônus demográfico


Acredito que esse termo seja desconhecido pela maioria de vocês.
Eu o conheci no ano passado, ao ler uma entrevista do professor José Eustáquio Alves, demógrafo do IBGE na revista Veja (22/09/2015).


População

É uma rara janela de oportunidade para um país, no qual a maior parte da população é economicamente ativa, com menos quantidade de crianças e idosos. Quando bem administrada, proporciona saúde, educação e qualidade de vida à população.

No Brasil, o bônus demográfico iniciou-se em 1970 e terminará na década de 2030, mas a oportunidade foi perdida quase que em sua totalidade por causa dos problemas atuais e passados.

Como foi dito no post 200 = 162 = 81 = 29? - Realidade ilógica e perversa, o Brasil possui 81% da população em idade economicamente ativa, mas apenas metade está trabalhando, quando o mínimo para aumentar o desenvolvimento do país seria de 70% trabalhando.

Há necessidade de criação de mais de 22 milhões de vagas de empregos, mas atualmente ocorre exatamente o contrário: 2016 terminou com mais de 12 milhões de desempregados. O problema é que na próxima década haverá menor crescimento da população em idade ativa e maior crescimento das que não estão aptas ao mercado de trabalho (crianças e idosos). Na década de 2040, a população idosa será inclusive maior do que a de crianças. Consegue imaginar a gravidade do problema?

Um dos motivos do país ter chegado a essa situação foi a preocupação dos últimos governos em incentivar o consumo e o crédito fácil em vez de procurar meios de aumentar os investimentos, pois desenvolvimento e investimento caminham juntos. A educação e a infraestrutura brasileiras também continuam precárias. Há poucas hidrovias e ferrovias se consideramos o potencial e as dimensões geográficas do país.

Os governos anteriores, com inflação fora de controle e instabilidade política também deram sua contribuição para prejudicar o uso adequado do bônus demográfico.

Talvez você esteja pensando se ainda dá tempo de fazer alguma coisa. Segundo José Eustáquio Alves, sim.
1) Investimentos em educação – atualmente 10 milhões de jovens fazem parte do grupo nem-nem: nem trabalham e nem estudam;
2) Crescimento econômico entre 4% a 5% ao ano;
3) Ingresso de mais pessoas no mercado de trabalho;
4) Acabar com favorecimentos políticos.

Infelizmente o próprio demógrafo vê essas ações como muito improváveis de ocorrer.

Apesar da janela se fechar em mais de 15 anos, o resultado nós já sentimos: envelhecimento da população sem atendimento decente e digno na área de saúde pública (salvo raras exceções), falta de qualidade de vida nas grandes cidades e aposentadorias cada vez menores.

Ao contrário do Japão e da Coreia do Sul, o Brasil talvez seja realmente o primeiro país a ficar velho sem ficar rico, como eu disse no post 200 = 162 = 81 = 29? - Realidade ilógica e perversa.
 


Quem viver, verá....


Créditos da imagem: xedos4 - Free Digital Photos