terça-feira, 3 de outubro de 2017

Aceitação


Todos temos uma certa dificuldade em aceitar as pessoas como elas são, principalmente seus defeitos e manias. Ao mesmo tempo, quando nos conhecemos um pouco melhor, alguns de nossos defeitos e manias tornam-se incômodos a nós mesmos, mas para aqueles que não achamos tão graves ou disfuncionais, recorremos às justificativas, tentando racionalizar através de diálogos internos ou com outras pessoas, os motivos de sermos ou agirmos de uma determinada maneira, que muitas vezes não é agradável àqueles que convivem conosco.

Veja a incoerência: um defeito (ou mania) em mim é tolerável, mas o mesmo defeito em outra pessoa é irritante, desagradável ou até insuportável. De certa maneira, nos falta empatia para aceitarmos as pessoas como elas são.

Ninguém muda ninguém. Uma pessoa só mudará a si mesma se em primeiro lugar ela realmente quiser.

Olhando de fora, parece tão fácil mudar os outros ou resolver seus problemas! Ao mesmo tempo, as mesmas questões em nossa vida não parecem tão fáceis e rápidas de serem resolvidas.

Porque subestimamos a dificuldade do outro enquanto aumentamos (ou até exageramos) a nossa?
Por que minimizamos nossos defeitos e manias enquanto maximizamos os de outras pessoas?

Talvez o mundo funcionasse um pouco melhor se aceitássemos as pessoas como elas realmente são. Claro que dicas para crescimento e desenvolvimento são adequadas e úteis, desde que como sugestão e não como imposição.
O que é óbvio para mim, muitas vezes não é para você, e vice-versa.


Finalizo com uma breve reflexão de Max Lucado sobre o assunto.

"O conflito é inevitável, mas o combate é opcional."

Algum tempo atrás, minha mulher comprou um macaco. Eu não queria um macaco em minha casa, por isso me opus.
- Onde ele vai comer?-perguntei.
- Em nossa mesa.
- Onde ele vai dormir? -inquiri.
- Em nossa cama.
- E quanto ao mau cheiro? _ eu quis saber.
- Eu me acostumei com o seu; acho que o macaco também vai se acostumar.

A harmonia não começa quando examinamos os outros, mas quando examinamos a nós mesmos.
A harmonia não começa quando exigimos que os outros mudem, mas quando admitimos que não somos tão perfeitos assim...


Pedras-equilibradas-em-cima-de-outra-pedra

A respostas às contendas? Aceitação.
O primeiro passo para a harmonia? Aceitação.
Não concordância, mas aceitação.
Não unanimidade,mas aceitação.
Não negociação, arbitrariedade ou aperfeiçoamento.
Tudo isso pode vir depois, mas somente depois do primeiro passo: aceitação.


Trecho de "Na jornada com Cristo" - Max Lucado

Créditos da imagem: Stuart Miles - Free Digital Photos

7 comentários:

  1. Muito bom! A figura ao final bem que podia chamar-se "balança da aceitação".

    Se percebermos a aceitação pelos outros de nossos defeitos, manias e modo de ver as coisas, ficará mais fácil aceitarmos as mesmas coisas dos outros. Ambos lados precisam estar equilibrados para tudo dar certo no longo prazo.

    Tudo, no fundo, passa por um equilíbrio, perene e vital.

    Muito bom texto! Abraço!

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    1. André,

      Gostei do termo "balança da aceitação" e do que falou sobre percebermos a aceitação dos outros em relação aos nossos defeitos e manias.
      Dessa forma, as coisas mudam muito de figura e ficará realmente mais fácil aceitarmos as pessoas como elas são e não como gostaríamos que fossem.

      Um equilíbrio perene e vital - muito profunda essa frase! :)

      Abraços,

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    2. André,

      A propósito, mudei o nome da figura para Balança da aceitação. Ficou bem mais coerente com o objetivo do texto.
      Agradeço pela dica!

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  2. Olá Rosana,

    Sempre vejo você comentar nos blogs de finanças e inclusive no meu mas não sabia que tinha um blog.

    Muito bom o tema que você postou. As pessoas tem dificuldade de aceitar os outros como eles são mas essa aceitação deve estar dentro de um limite que é muito difícil de identificar.

    O que acontece é que temos que aceitar o outro como ele é desde que não tenha outro jeito de ser. Vejo muitas pessoas usando este termo de "tem que me aceitar do jeito que sou" para justificar uma ignorância, uma tolerância ou então uma falta de vontade de tornar-se uma pessoa melhor. Por exemplo, tem várias pessoas que estão com sobrebeso e ao invés te tentarem emagrecer um pouco usam este termo dizendo que se alguém quiser ela, tem que aceitar ela assim.

    Na minha opinião não é bem assim que funciona. Temos que progredir no crescimento humano e uma das imperfeições que temos que combater diariamente é a da intolerância.

    Vou te adicionar ao meu blogroll e ler os demais post com calma.

    Abraço!

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    1. Olá, Buscando Primeiro Milhão

      Também é legal te ver por aqui! :)

      Concordo com o que falou sobre tudo ter um limite. Há coisas que não dá para aceitar mesmo, talvez por não fazer parte de nossos princípios, valores e ideal de vida.
      Por isso, acho que é sábio de nossa parte darmos dicas ou conselhos, como no caso que você citou da obesidade - é algo que não podemos alimentar nas pessoas.

      Frases como "sempre fui assim", "tem que me aceitar do jeito que sou". mostram uma limitação muito grande em relação ao crescimento pessoal e a quebra de paradigmas.

      Há coisas que realmente não dá para aceitarmos, que nos colocariam em conflito interno. Nesses casos, a melhor coisa é desistirmos da amizade, mas quando são pessoas muito próximas (parentes, por exemplo), aí não vejo muita saída, a não ser dar dicas e se a pessoa não mudar, a aceitarmos dessa forma mesmo, para o nosso próprio bem.

      Legal saber que se interessou pelos outros posts, espero que goste do conteúdo do meu blog!

      Abraços,

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  3. Respostas
    1. Edna,

      Bom saber que você gostou!

      Boa semana,

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